Uma pesquisa da zootecnista Letícia Custódio, revelada nesta semana pelo Estadão Conteúdo, indicou a presença alarmante de micotoxinas – substâncias tóxicas aos animais produzidas por fungos, em amostras de rações destinadas para bovinos de corte. O número de amostras analisadas não foi revelado, porém, de acordo com Letícia, 100% do material que embasou o estudo apresentava algum tipo de contaminação. O estudo desenvolvido por Letícia integra as pesquisas desenvolvidas pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

De acordo com a zootecnista, durante muito tempo se acreditou que pelo fato de as micotoxinas serem metabolizadas no rúmen (pança) de bovinos, os animais não seriam afetados. Porém, a pesquisa concluiu que, caso o gado se alimente dessa ração contaminada, pode perder até 26 quilos de peso corporal no fim do processo produtivo. Letícia diz que a metabolização realmente ocorre, “mas isso vai depender da quantidade de ração que o animal está consumindo e qual micotoxina está presente”. “Existem algumas que não são metabolizadas no rúmen”, completa.

O FUNGO

O fungo que produz essas toxinas está naturalmente presente na matéria-prima utilizada na ração – milho e farelo de soja, entre outros ingredientes de origem vegetal.

“Por isso é praticamente impossível haver uma dieta para confinamento sem contaminação, ainda que mínima”, comenta Letícia.

Segundo ela, é importante manter as micotoxinas em níveis baixos no alimento, a fim de diminuir os danos causados pelas substâncias.

“Nos meus experimentos, mesmo com uma contaminação considerada baixa, observamos uma queda de 200 gramas de ganho médio diário por animal – o que equivale, no fim do processo produtivo, a 26 quilos a menos no peso corporal do animal”.

DIMINUIÇÃO DA CONTAMINAÇÃO

Para minimizar a contaminação, segundo Letícia, devem ser adotadas boas práticas de fabricação da ração, de manejo agrícola e de armazenamento do alimento. Em grãos úmidos e danificados, por exemplo, os fungos se multiplicam muito mais rapidamente.

“Práticas como a colheita tardia e a armazenagem incorreta promovem um ambiente favorável para muitas espécies desses organismos”.

Entre as possibilidades de reduzir os prejuízos causados por micotoxinas à saúde dos bovinos estão os adsorventes, substâncias de origem sintética ou natural que se ligam às micotoxinas e impedem que sejam metabolizadas pelos animais, podendo ser misturadas à ração já formulada.

“É uma estratégia para quando o alimento já está contaminado ou o criador não sabe”.

Para a zootecnista, compensa para o produtor utilizar o adsorvente como uma forma de segurança.

“Pode ficar mais caro fazer a análise do que usar o adsorvente”, pondera. Além disso, armazenar a ração em locais secos e ventilados para evitar a proliferação de fungos é outra importante medida.

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