A palavra Zootecnia origina-se do grego “zoon – animal” e “technê – arte”, que significa a arte de criar animais. O termo foi cunhado pela primeira vez por Adrien Étienne Pierre, conhecido como Conde de Gasparin, que em seu célebre livro Cours d`Agriculture (1ère edict. Paris, 1844, pág. 15) propunha a separação da produção vegetal da criação animal e defendia a necessidade de mudança de paradigma no entendimento do significado dos animais para a vida no planeta.

Mais tarde, em 1848, o Conde de Gasparin, ao assumir a direção do recém-criado Instituto de Agronômico de Versalhes, estabeleceu a distinção entre a técnica agrícola e a criação animal e desligou esta da agricultura, propondo a criação de um corpo independente de doutrinas, a qual ele chamou de Zootecnia.

Para fundamentar o novo campo de saber, o Instituto Agronômico de Versalhes, sob a direção do Conde de Gasparin, realizou em 1849 um concurso público para docente, onde os candidatos deveriam apresentar uma tese composta por doutrinas que fundamentariam a nova ciência. Na oportunidade, foi aprovado em primeiro lugar o jovem biólogo naturalista alemão Emile Baudement, que ao ocupar a cátedra passou a criar o conjunto de doutrinas fundamentantes com base em conceitos científicos e a ensinar a Zootecnia. Portanto, nasceu nesta época a ciência Zootecnia, o ensino e a profissão de Zootecnista.

Naquele tempo os animais eram entendidos como máquinas vivas de produzir alimentos e serviços de interesse do homem e a ciência Zootecnia se encarregava do estudo e compreensão da dinâmica de funcionamento e uso de tais “máquinas”. Hoje, os animais são compreendidos como seres sencientes, isto é, são seres vivos que possuem um determinado comportamento e que igualmente setem dor, em que se pode utilizá-los como componentes da cadeia biológica alimentar para gerar alimentos, produtos diversos, serviços, divisas e empregos de interesse ao homem, mas de forma a respeitar a sua condição de bem-estar e ética na lida para com eles. Desta forma, a ciência Zootecnia evoluiu o entendimento dos animais, passando a ser compreendida como o campo do saber que promove a criação animal de forma eficiente, justa, sustentável e ética.

DISSEMINAÇÃO

O termo Zootecnia, originário do surgimento da ciência, ganhou repercussão e disseminou-se pelo mundo, com ênfase para os países de língua lusófona, castelhana e alemã que foram fortemente influenciadas pela escola francesa de formação doutrinária do modelo. Já os países que foram influenciados pela escola inglesa não adotaram o termo para configurar o campo de saber e tão pouco do ensino/curso, sendo denominado na tradução livre de ciência animal e cientista animal para a ciência e o profissional resultante da formação em Zootecnia, respectivamente. Independentemente da escola de influência, a Zootecnia ou Ciência Animal, encontra-se disseminada pelo mundo como sendo a arte e a técnica de criar animais com conhecimento gerado a partir da observação e experimentação, seguindo o rigor do método científico tradicional.

Até pouco depois da metade da década de sessenta do século XX, parte da ciência Zootecnia era ofertada desde o surgimento dos cursos ligados a agropecuária como disciplina, especialmente aquela que se refere aos conteúdos de Zootecnia Geral, Melhoramento Genético, Reprodução e das culturas animais tradicionais como Bovinocultura de Leite e Corte, Avicultura, Suinocultura em cursos de Agronomia e Medicina Veterinária, quando então surge a primeira escola de Zootecnia no Brasil.

ZOOTECNIA NO BRASIL

Pode-se dizer que a Zootecnia brasileira começou sua história um pouco antes de 1951, quando técnicos especializados em criação animal de diferentes formações e participantes da Exposição Nacional de Gado Zebu, a conhecida internacionalmente ExpoZebu, realizada tradicionalmente em Uberaba, Minas Gerais, estimularam um grupo de professores, especialmente aqueles das instituições de ensino superior tradicionais, como a hoje Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Universidade de São Paulo, por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), a organizar uma entidade que tratasse da pesquisa e do ensino da Zootecnia no país para contribuir com o desenvolvimento necessário da pecuária nacional a partir da geração de conhecimento e formação de recursos humanos qualificados.

O desafio foi acolhido por um conjunto de professores das Instituições de Ensino e Técnicos do setor da época, tendo como líder o professor Octávio Domingues, e logo, em 1951, fundou-se a Sociedade Brasileira de Zootecnia, em reunião realizada na ESALQ.

Na sequência, em 1952, é realizada a II Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia, na cidade de Porto Alegre, onde se decidiu pela realização de uma reunião específica com professores de ensino da Zootecnia existente no país para tratar da construção de uma proposta de currículo para formação em Zootecnia, com o objetivo de criar o curso de graduação oportunamente.

A reunião, em atendimento ao acordado em Porto Alegre, deu-se em julho de 1953, na UFRRJ, tendo 16 participantes representantes de 10 instituições de ensino de formações em agronomia e veterinária existentes à época e que ministravam as disciplinas voltadas para o campo da Zootecnia. Na reunião elaborou-se e criou-se o primeiro currículo de formação em Zootecnia.

INÍCIO DO CURSO

Somente em 1966 é que se deu início ao curso de graduação em Zootecnia como opção de formação em nível superior, após o enfrentamento de posições contrárias, a superação das limitações financeiras e o estabelecimento do projeto de curso, que foi acolhido pela Pontifícia Universidade Católica de Uruguaiana, cuja aula inaugural foi realizada em 13 de maio daquele ano. Data essa que passou a ser considerada simbolicamente como o Dia do Zootecnista pela comunidade de estudantes e profissionais Zootecnistas, instituições de ensino e pesquisa, e empresas públicas e privadas que tem entre seus colaboradores os Zootecnistas.

Desde os idos de 1966 até os dias atuais, a Zootecnia cresceu, expandiu, solidificou e tornou-se essencial ao país como profissão por gerar conhecimento, inovações e tecnologias aplicáveis, bem como para a formação de profissionais com competência qualificada diferenciada para atuar no desenvolvimento do agronegócio, especialmente da pecuária nacional. Neste particular, se for feito um paralelo ao desenvolvimento da pecuária em nosso país nos últimos 50 anos, o Zootecnista, conjuntamente com outras categorias profissionais, foi e é ator essencial para conferir o grau de competitividade das diferentes cadeias produtivas da criação animal e assegurar a produção de proteína de origem animal de forma eficiente, economicamente viável, socialmente justa, ética, garantindo bem-estar aos animais e ambientalmente correta para atendimento da demanda da população.

Esta expansão é tão notória que hoje a Zootecnia nacional conta com mais de 115 cursos de graduação em Zootecnia, mais 18 mil alunos regularmente matriculados e um número estimado empiricamente superior a 35 mil profissionais atuantes em todo os rincões deste Brasil de dimensões continentais. Logo, é mister dizer que a história da Zootecnia no Brasil é recheada de fatos históricos marcantes e emblemáticos e, por isso mesmo, a torna rica e de grande orgulho para os Zootecnistas.

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