AVALIAÇÃO DA BIOMETRIA TESTICULAR DE SUÍNOS MACHOS PESADOS NÃO CASTRADOS E IMUNOCASTRADOS

Guilherme Agostinis Ferreira1, Évelyn Rangel dos Santos2, Bárbara de Lima Giangareli3, Nayara Andreo4, Amanda Gobeti Barro5, Jéssica Gonçalves Vero6, Caio Abercio da Silva7, Ana Maria Bridi8
1 - Universidade Estadual de Londrina
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RESUMO -

Objetivou-se avaliar a biometria testicular de suínos machos pesados (acima de 120 kg de peso vivo) não castrados, comparados com suínos imunocastrados com vacina comercial. Foram utilizados 32 suínos machos da genética Agroceres PIC, divididos em dois grupos de 16 animais: imunocastrados com vacina comercial (106 e 134 dias de idade) e não castrados. Os suínos iniciaram a fase de terminação aos 106 dias de idade (59,39 ± 7,26 kg de peso vivo) e foram abatidos aos 167 dias de idade e 124,69 ± 8,47 kg em média. A biometria testicular foi realizada semanalmente e iniciadas seis semanas antes da data de abate. A largura e altura testicular dos suínos não castrados foram 24,22 e 10,78% maiores do que dos imunocastrados respectivamente. Houve influência da imunocastração sobre a circunferência testicular (altura e largura) dos suínos, acarretando em menor velocidade de crescimento testicular quando comparados aos suínos não castrados.

Palavras-chave: cresimento testicular, hormônios testiculares, odor sexual, suinocultura, testosterona.

EVALUATION OF TESTICULAR BIOMETRY OF HEAVY BOARS AND IMMUNOCASTRATED

ABSTRACT - The aim of this study was to evaluate the testicular biometry of heavy boars (above 120 kg live weight), compared with barrows immunocastrated with commercial vaccine. A total of 32 male swines of genetic Agroceres PIC, divided into two groups of 16 animals: immunocastrated with commercial vaccine (106 and 134 days of age) and boars. The pigs started termination to 106 days of age (59.39 ± 7.26 kg of body weight) and were slaughtered at the 167 days of age and 124.69 ± 8.47 kg average. The testicular biometry it was made weekly and started six weeks before the date of slaughter. The testicular width and height of the boars were 24,22 e 10,78% higher than those of the immunocastrated, respctively. There was influence of immunocastration on the testicular circumference (height and width) of the pigs causing less testicular growth when compared to boars.
Keywords: immunocastration, pig farming, sexual odor, testicular growth, testicular hormones, testosterone


Introdução

A produção de suínos com alto peso de abate (acima de 120 kg) é almejada pela indústria, devido ao aumento da produção de carne por animal e consequentemente o aumento do peso dos cortes nobres da carcaça. Entretanto, existem limitações na obtenção de animais com elevado peso de abate, como os maiores teores de gordura na carcaça e a redução na eficiência alimentar desses animais (SANTOS et al., 2012). Entretanto, o aumento do peso de abate pode aumentar a prevalência do odor sexual presente na carcaça desses animais (MCGLONE et al., 2012), que é observado quando a carne ou produtos derivados são cozidos, por meio da liberação de odores desagradáveis (EINARSSON, 2006). O odor sexual é causado por dois compostos, escatol e androsterona, que acumulados no tecido adiposo causando odor fecal, de urina e suor, respectivamente (CLAUS et al., 1994). Embora a carne de suínos machos não castrados possa apresentar odor sexual, existem expressivas vantagens na produção desses animais, como melhor característica de desempenho, maior deposição de tecido muscular, carcaças com menor deposição de gordura, menor custo de produção (ração e mão-de-obra utilizada na castração), redução da excreção de fezes e consequentemente de poluentes (como o nitrogênio, fósforo e dióxido de carbono) e alguns aspectos de qualidade da carne (ROEST et al., 2009). Com base nisso, objetivou-se com este estudo avaliar a biometria testicular de suínos machos pesados (acima de 120 kg de peso vivo) não castrados, comparados aos imunocastrados com vacina comercial.

Revisão Bibliográfica

Segundo o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), conforme consta no artigo 121 do Decreto 30.691 de 29 de março de 1952, “É proibida a matança de suínos não castrados ou de animais que mostrem sinais de castração recente”. Além disso, o RIISPOA, no artigo 172, ainda define que carnes que exalem odores medicamentosos, excrementícios ou sexuais devem ser condenadas (BRASIL, 1952). No entanto, no Paraná de acordo com a portaria nº 60 de 26 de março de 2014 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, o abate de suínos machos não castrados é permitido, desde que os mesmos apresentem idade inferior a seis meses e todas as carcaças sejam submetidas ao teste de cocção e degustação, a fim de detectar e eliminar carcaças que contenham odor sexual característico do macho não castrado (PARANÁ, 2014). A imunocastração ocorre por meio da aplicação de uma vacina que contém uma forma modificada de GnRH (antígeno), correspondendo a um análogo sintético incompleto, conjugado à uma proteína carreadora inerte, que atua no sistema imunológico, estimulando-o a produzir anticorpos naturais contra seu fator de liberação de gonadotrofinas. Assim a imunização contra GnRH irá romper a linha central hipotálamo-pituitária-gônada, inibindo o crescimento dos testículos e a síntese de esteroides, que por sua vez irá reduzir a ocorrência do odor sexual (JAROS et al., 2005). No suíno imunocastrado, as substâncias que causam odores desagradáveis são metabolizadas progressivamente, permitindo que o animal seja abatido com um alto peso, sem a presença destes na carne e com os benefícios do efeito dos esteroides testiculares sobre o crescimento do animal (DUNSHEA et al., 2001). Turkstra et al. (2002) avaliaram o tamanho testicular de suínos machos não castrados, imunocastrados com resposta precoce à vacina de imunização e imunocastrados com resposta tardia. O tamanho dos testículos dos suínos imunocastrados com resposta precoce e com resposta tardia foram 50% e 25% menores que os testículos dos não castrados. A diferença entre animais não castrados e imunocastrados também foi visível pelo aspecto exterior do escroto, visto que os imunocastrados exibiram um menor saco escrotal, enquanto o escroto dos machos inteiros teve uma aparência bulbosa.

Materiais e Métodos

O presente trabalho foi submetido e aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Estadual de Londrina, sob processo nº 7423.2015.66. Foram utilizados 32 suínos machos da genética Agroceres PIC, divididos em dois grupos de 16 animais, sendo eles: suínos machos imunocastrados e suínos machos não castrados. Todos os animais foram alojados em 16 baias (dois animais de mesmo grupo por baia) de alvenaria, piso compacto, com área de 3 m2, bebedouros do tipo nipple e comedouros do tipo holandês. O delineamento experimental foi em blocos casualizado e os animais foram blocados de acordo com o seu peso vivo ao início do experimento. O animal foi considerado a unidade experimental totalizando 16 repetições por grupo. Os suínos imunocastrados foram imunizados com vacina comercial Vivax®, dividida em duas doses de 2 mL cada, administradas na região do pescoço, próximo a base da orelha, por via subcutânea, conforme as orientações da bula do fabricante. Esses animais receberam a primeira dose da vacina oito semanas antes do abate e a segunda dose quatro semanas antes do abate. Os suínos não castrados não sofreram nenhum tipo de intervenção. A biometria testicular in vivo foi realizada com auxílio de uma fita métrica, medindo-se a circunferência da altura e da largura dos testículos. O procedimento teve ínicio seis semanas antes do abate e foi realizado semanalmente até os animais serem abatidos. Os animais dos dois grupos experimentais receberam rações isonutrientes e isoenergéticas, formuladas para atender as exigências mínimas recomendadas por Rostagno et al. (2011), ad libitum, com duas reposições diárias, às 8h e às 17 horas e iniciaram a fase de terminação aos 106 dias de idade (59,39 ± 7,26 kg de peso vivo) sendo abatidos ao final da terminação, com um peso médio de 124,69 ± 8,47 kg aos 167 dias de idade. Os dados foram submetidos à análise de variância e as comparações foram realizadas pelo teste de F, utilizando o software estatístico R versão 3.1.3 (R CORE TEAM, 2015) e o pacote ExpDes versão 1.1.2 (FERREIRA et al., 2013).

Resultados e Discussão

Os animais imunocastrados e não castrados apresentaram um crescimento linear da circunferência testicular (largura e altura), sem qualquer sinal de regressão (Gráfico 1 e 2). Até quatro semanas antecedentes ao abate os tratamentos não diferiram-se significativamente (P>0,05). Entretanto, nas três últimas semanas antecedentes ao abate os suínos não castrados exibiram significativamente (P<0,05) maiores circunferências da altura e largura testicular, demonstrando assim, a menor velocidade de crescimento testicular dos suínos imunocastrados em relação aos não castrados. Isso se deve ao mecanismo de ação da própria vacina de imunocastração, que ao bloquear a ação do GnRH reduz a secreção de androsterona, testosterona e consequentemente a quantidade de escatol produzido (JAROS, 2005).  O que não ocorre nos animais não castrados, que continuam com a produção e ação desses hormônios com o decorrer das semanas. Segundo Andresen (1976), a produção destes hormônios aumenta à medida que o animal envelhece, uma vez que estes estão ligados diretamente com o crescimento testicular. Pode-se evidenciar este comportamento observando os resultados obtidos no grupo dos animais não castrados. Também foi observado relação das doses da vacina de imunocastração com a biometria testicular in vivo (Gráfico 1 e 2), onde somente a partir da segunda dose aplicada é que foram observadas diferenças significativas nas medidas testiculares de suínos imunocastrados comparados aos não castrados. Quando aplicada a primeira dose da vacina, os níveis de testosterona dos animais imunocastrados permanecem praticamente iguais aos não castrados e somente a partir da segunda dose de imunização, os níveis de testosterona reduzem significativamente e os imunocastrados passam a apresentar menores medidas testiculares em relação aos não castrados (ALBRECHT et al., 2012).

Conclusões

Houve influência da imunocastração sobre a circunferência testicular (altura e largura) dos suínos acarretando em menor velocidade de crescimento testicular quando comparados ao suínos não castrados.

Gráficos e Tabelas




Referências

ALBRECHT, A. K.; GROSSE BEILAGE, E.; KANITZ, E.; PUPPE, B.; TRAULSEN, I.; KRIETER, J. Influence of immunization against GnRH on agonistic and mounting behaviour, serum testosterone concentration and body weight in male pigs compared with boars and barrows. Applied Animal Behaviour Science, v. 138, n. 1–2, p. 28–35, 2012.   ANDRESEN, O. A rapid radio immunological evaluation of the androtenone contented in boar fat. Acta Veterinary scand, Londres, v. 20, p. 343-350, 1976.   CLAUS, R.; WEILER, U.; HERZOG, A. Physiological aspects of androstenone and skatole formation in the boar - A review with experimental data. Meat Science, v. 38, p. 289–305, 1994. DUNSHEA, F. R.; COLANTONI, C.; HOWARD, K.; MCCAULEY, I.; JACKSON, P.; LONG, K. A.; HENNESSY, D. P. Vaccination of boars with a GnRH vaccine (Improvac) eliminates boar taint and increases growth performance. Journal of Animal Science, v. 79, n. 10, p. 2524–2535, 2001. EINARSSON, S. Vaccination against GnRH: pros and cons. Acta Veterinaria Scandinavica, v. 48, 2006. FERREIRA, E. B.; CAVALCANTI, P. P.; NOGUEIRA, D. A. 2013.  ExpDes: Experimental Designs pacakge. R package version 1.1.2. JAROS, P.; BÜRGI, E.; STÄRK, K. D. C.; CLAUS, R.; HENNESSY, D.; THUN, R. Effect of active immunization against GnRH on androstenone concentration, growth performance and carcass quality in intact male pigs. Livestock Production Science, v. 92, n. 1, p. 31-38, 2005. MCGLONE, J. J. Behavior of immunologically castrated boars compared to surgically castred pigs. Disponível em: <http://www.depts.ttu.edu/animalwelfare/research/pigcastration/documents/BehaviorofimmunologicallycastratedboarscomparedtosurgicallycastratedpigsMarch2012.pdf>. Acesso em: 13 jul 2016. PARANÁ. Portaria nº 60, de 26 de março de 2014. Aprova normas para abate de suínos não castrados e de suínos submetidos à castração imunológica por meio de vacina, nos estabelecimentos registrados da ADAPAR. Secretaria da Agricultura e Abastecimento. Curitiba, 26 mar. 2014. R CORE TEAM. R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria, 2015. ROEST, K.; MONTANARI, C.; FOWLER, T.; BALTUSSEN, W. Resource efficiency and economic implications of alternatives to surgical castration without anaesthesia. Animal, v. 3, n. 11, p. 1522-1531, 2009. TURKSTRA, J. A.; ZENG, X. Y.; VAN DIEPEN, J. T. M.; JONGBLOED, A. W.; OONK, H. B.; VAN DE WIEL, D. F. M.; MELOEN, R. H.Performance of male pigs immunized against GnRH is related to the time of onset of biological response The online version of this article, along with updated information and services, is located on the World Wide Web at : Performance of male pigs immune. Journal of animal science, n. 80, p. 2953–2959, 2002. SANTOS, A. P. D.; KIEFER, C.; MARTINS, L. P.; FANTINI, C. C. Feeding restriction to finishing barrows and immunocastrated swine. Ciência Rural, v. 42, p. 147-153, 2012.





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