Efeito da combinação de monensina sódica com leveduras ou taninos condensados sobre a morfometria ruminal de bovinos Nelore confinados

Rafael Fernandes Lira Cordeiro1, Emerson Costa de Paula2, Thammy Capuci Gasparim3, Lucas Tomazini Carneiro4, Daniel Polli5, Ana Claudia Ambiel Corral Camargo6, Marco Aurélio Factori7, Murillo Ceola Stefano Pereira8
1 - Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente – SP, Brasil.
2 - Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente – SP, Brasil.
3 - Grupo Gasparim de Nutrição Animal, Presidente Bernardes – SP, Brasil.
4 - Grupo Gasparim de Nutrição Animal, Presidente Bernardes – SP, Brasil.
5 - Grupo Gasparim de Nutrição Animal, Presidente Bernardes – SP, Brasil.
6 - Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente – SP, Brasil.
7 - Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente – SP, Brasil.
8 - Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Campus de Botucatu, Botucatu – SP, Brasil.

RESUMO -

O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da combinação de monensina sódica com leveduras ou taninos condensados sobre a morfometria do epitélio ruminal e abscessos hepáticos de bovinos Nelore confinados. Os tratamentos foram: MON+LEV (associação de monensina sódica (25 ppm) + levedura (2,4×106); e Tanino (taninos condensados 20 g kg/MS). Após o abate e evisceração dos animais, os compartimentos do rúmen e retículo foram separados e limpos com água corrente. Não foram observados abscessos hepáticos em nenhum dos animais abatidos. Não foi constatado (P > 0,10) efeito dos aditivos apenas para área média de papilas. Contudo, animais alimentados com MON+LEV apresentaram maiores (P < 0,10) rumenites, número médio de papilas, área de superfície absortiva e representatividade das papilas. A monensina sódica associado a levedura promoveu maior desenvolvimento do epitélio ruminal comparado aos taninos condensados.

Palavras-chave: confinamento, papila, rúmen, Zebu

Effect of sodium monensin with yeast or condensed tannin on ruminal morphometric of feedlot Nellore cattle

ABSTRACT - The objective of this study was evaluate the effect of sodium monensin with yeast combination or condensed tannins os ruminal morphometric of feedlot Nellore cattle. The treats were: MON+LEV (association of sodium monensin (25 ppm) + Yeast (2,4x106); and Tanino (condensed tannins 20 g kg/MS). After the slaughter and evisceration, the rumen compartments and the reticulum were separated and cleaned with running water. Did not observe liver abscess. Did not observe (P > 0.10) additives effect to mean papillae area. However, animals fed with MON+LEV had greater ruminits and number of papillae and had larger absorptive surface area and papillae area. Sodium monensin associated with yeast promoted greater development of ruminal epithelium compared to condensed tannins.
Keywords: feedyard, papillae, rumen, Zebu


Introdução

Ionóforos, como a monensina sódica, são classificados pela Food and Drug Administration (FDA), como antibióticos. Grupos científicos vem cada vez mais questionando o uso de antibiótico na alimentação animal por acharem que esses produtos poderiam contribuir para o desenvolvimento de organismos resistentes, criando risco à saúde humana. Atualmente, não existem trabalhos na literatura que comprovem resistência de bactérias ao uso de ionóforos a partir do enfoque nutricional A proibição do uso de antibióticos na alimentação animal tem sido recomendada por uma questão de precaução, principalmente na Europa, a eliminação do uso dos promotores de crescimento antibióticos, como a monensina sódica, terá importantes implicações econômicas. Sendo assim, torna-se necessário novos estudos que envolvam aditivos alimentares naturais, abrindo um novo campo de estudo para os taninos. Os taninos são substâncias produzidas, principalmente, pelas forrageiras tropicais com o objetivo de proteger a planta contra o ataque de bactérias, fungos, vírus e também de herbívoros. Estes compostos são popularmente reconhecidos por apresentarem odor repulsivo, gosto amargo, por atuarem como fatores antinutricionais (Giner-Chaves, 1996). Com base nesses estudos, o objetivo do estudo que foi avaliar o efeito da combinação de monensina sódica com leveduras ou tanino condensados sobre a morfometria ruminal e abscessos hepáticos de bovinos Nelore confinados.

Revisão Bibliográfica

Os sistemas intensivos de produção têm sido uma forma eficiente de maximização dos lucros, porém, para conseguir abater um número maior de animais mais jovens, com elevados ganhos de peso e carcaças padronizadas, torna-se necessário a utilização de dietas com elevados teores de energia, o que resulta em aumento da fermentação ruminal. A consequência, por sua vez, é a produção de maiores quantidades de ácidos, cujo acúmulo pode provocar distúrbios metabólicos, como a acidose, que prejudicam o desempenho do animal (Owens et al., 1998). Para que tais objetivos sejam alcançados, existem diversas ferramentas de manejo que podem ser adotadas, entre elas destaca-se a utilização de aditivos alimentares. Os ionóforos, principalmente a monensina, provavelmente são os aditivos mais pesquisados em dietas de ruminantes e um de seus principais efeitos é a redução no consumo de matéria seca (Duffield et al., 2012). Os resultados consistentes na utilização da monensina sobre a modulação do consumo de alimento fez com que o NRC (1996) recomendasse que o CMS estimado fosse diminuído em 4% em animais suplementados entre 27,5 a 33 ppm de monensina. Outro aditivo muito utilizado são os probióticos, que atuam na melhora dos índices produtivos, principalmente aqueles que continham bactérias do gênero Ruminobacter amylophilum, Ruminobacter succinogenes e Succinovibrio dextrinosolvens, as quais agem na fermentação ruminal do amido, celulose,pectina e maltose (Van Houtert, 1993), Contudo alguns países, principalmente os da União Europeia baniram desde 2006 (artigo no11, regulamento 1831/2003) o uso dos ionóforos como promotores de crescimento, por serem classificados como antibiótico (OJEU, 2003), Uma alternativa para a substituição dos ionóforos é a utilização de taninos condensados, Patra e Saxena (2010) descrevem os taninos como compostos poli-fenólicos, solúveis em água, com elevado peso molecular, e com alta capacidade de complexar-se com proteínas, e em intensidade com carboidratos. O efeito mais conhecido dos taninos está associado à sua capacidade de complexar as proteínas, e reduzir a degradação proteica, aumentando o fluxo de proteína metabolizável para os intestinos (Zelter et al., 1970).

Materiais e Métodos

O estudo foi conduzido no confinamento do Grupo Gasparim Nutrição Animal em Presidente Bernardes – SP. Foram utilizados 144 animais, machos, não castrados, da raça Nelore, com peso vivo médio inicial de 339,08 ± 17,61 kg, provindos de sistema de recria em pastejo continuo. Os animais foram mantidos em 12 baias (12 animais/baia), as quais foram consideradas as unidades experimentais para todas as variáveis avaliadas, sendo divididos em 2 tratamentos, os quais foram: MON+LEV (associação de monensina sódica (25 ppm) + levedura (2,4x106); e Tanino (tanino 20 g kg/MS). Todos os animais foram submetidos ao mesmo fornecimento de dietas, tipo de alojamento e manejo. O estudo teve duração de 90 dias, divididos em: 14 dias de adaptação, 26 dias de crescimento e 60 dias de terminação. As rações experimentais foram formuladas segundo o NRC 1996, cujos níveis estão apresentados na Tabelas 1. O CMS foi medido para cada baia por meio da pesagem do alimento fornecido diariamente, e consequente pesagem da sobra antes do trato da manhã seguinte, 24 horas após o fornecimento. A flutuação do CMS foi feita seguindo a metodologia proposta por Bevans et al. (2005), em que a diferença de CMS entre dois dias consecutivos representou a flutuação. Desta forma, a flutuação do CMS foi determinada diariamente durante todo o período experimental. Além disso, os dados de flutuação foram analisados na fase de adaptação, crescimento, terminação e considerando o período total do estudo. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, em função do peso vivo inicial, em que as baias foram consideradas as unidades experimentais para todas as variáveis deste estudo. Os dados deste estudo foram analisados pelo PROC MIXED do SAS (2003), sendo o teste F utilizado para comparação entre médias, considerando o nível de 10% de significância.

Resultados e Discussão

Foi observado (P < 0,10) efeito dos aditivos para flutuação do CMS em porcentagem apenas na fase de crescimento, tanto em porcentagem quanto em kg (Tabela 2). Bovinos alimentados com MON+LEV tiveram menor flutuação do CMS na fase crescimento do que animais alimentados com taninos condensados. Em geral, é assumido que flutuações do CMS de bovinos confinados podem causar acidose e reduzir o CMS (Britton e Stock, 1987). Galyean et al. (1992), observaram que 10% de flutuação na dieta fornecida aos animais reduziram o ganho em 6% e a eficiência alimentar em 7% quando comparados a animais que receberam a dieta de acordo com programação constante com base no peso vivo, o desempenho reduzido foi atribuído à acidose subclínica devido à variação no CMS, mesmo com o pH ruminal não sendo mensurado. Em estudos feitos por Schwartzkopf-Genswein et al. (2004), observaram que bovinos que foram impostos flutuações no CMS apresentaram maior tempo de pH ruminal abaixo de 5,5; valor este considerado como acidose subclínica (Owens et al. 1998). Quanto menor for à flutuação do CMS, menores são as oscilações de pH, e assim, menor é a probabilidade de ocorrer lesões no epitélio ruminal, que é responsável pela absorção de ácidos graxos de cadeia curta e outros metabólitos (Banks, 1991). Preston (1998), relatou que em baixas concentrações de pH, decorrentes de problemas de ordem digestiva como a acidose, são frequentes a diminuição e grande flutuação no CMS, baixo desempenho e aumento nas lesões do epitélio ruminal.

Conclusões

Com base nos resultados, o fornecimento de monensina sódica e levedura ou taninos condensados influenciou sobre a flutuação do CMS de bovinos Nelore confinados. A monensina sódica associado a levedura reduziu a flutuação do CMS de bovinos Nelore confinados apenas na fase de crescimento.

Gráficos e Tabelas




Referências

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