A criação de peixes ornamentais, especialmente Bettas (Betta splendens), é um mercado extremamente competitivo que está expondo, também, o trabalho técnico de zootecnistas como juízes.

Com competições ornamentais cada vez mais frequentes, principalmente na região Nordeste, profissionais da Zootecnia têm sido constantemente convidados para julgarem animais de todo o país que são expostos por criadores.

Um destes profissionais é o Fábio Fernandes, de Fortaleza, no Ceará. Ele entrou neste mundo em 2019, quando foi convidado pela primeira vez para participar do Ceará Betta Show, organizado pelo Circuito Nacional Nordebettas, realizado em diversos estados do país.

Fernandes é criador de Bettas e aquarista há mais de 20 anos (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

A participação mais recente de Fernandes em um evento do gênero foi no Encontro Nacional de Bettas (Enabettas), em novembro deste ano, realizado em Recife.

Além dele, também estiveram na competição os zootecnistas João Franz, de Pernambuco, e Fernando Cecchetti, do Rio de Janeiro, coordenador da equipe de juízes.

Time de juízes do Enabettas 2021, com participação dos zootecnistas Fábio Fernandes, João Franz e Fernando Cecchetti (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

“Para ser juiz, geralmente se é convidado. Costumam ser pessoas que tem grande experiência em criação de Bettas, grande conhecimento teórico também. Que entendem de linhagem, de genética… Mas não necessariamente apenas zootecnistas. Alguns juízes, por exemplo, são engenheiros de pesca”, explicou Fernandes.

Critério

O trabalho de avaliação de peixes é técnico e, também, muito cansativo, como explica o zootecnista Fernando Cecchetti.

“Os julgamentos duram normalmente dois dias consecutivos, com atividades de 12 a 14 horas por dia. Só no Enabettas, que é a maior e mais importante exposição do Brasil, normalmente temos em média 600 a 700 animais a serem julgados individualmente”.

Cecchetti é amante de peixes desde a infância, mas começou trabalhos profissionais na piscicultura ornamental depois de ter se formado em Zootecnia, em 2008 (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Segundo Cecchetti, todos os animais inscritos são separados em categorias e subcategorias para avaliação, baseada em Manual Técnico elaborado pela extinta Associação dos Aquicultores Ornamentais do Estado do Rio de Janeiro (AQUOrio).

O documento foi baseado no International Betta Congress (IBC) e adaptado, segundo Cecchetti, para as condições dos produtores brasileiros e material genético nacional.

“Os animais de linhagens campeãs, normalmente são vendidos por valores bem altos em relação à média geral de um peixe ornamental. Enquanto um Betta ‘comum’ é vendido em uma pet shop por no máximo R$ 15, o peixe Betta de linhagem, que é o que concorre na exposição, pode chegar a valores próximos de R$ 800 pelo alto padrão genético e fenotípico”.

Campo a ser explorado

Pela esporadicidade na realização dos eventos, o julgamento de peixes Bettas ainda não pode ser uma atividade primária para os profissionais.

Fernandes, por exemplo, tem como atividade primária o cultivo de plantas aquáticas. Ele também realiza cursos.

Já Cechetti trabalha em diversos campos relacionados à Zootecnia, na área empresarial, ambiental e qualidade, além de ministrar, também, cursos de formação de juízes.

Na avaliação dos zootecnistas, entretanto, este mercado está se expandindo cada vez mais e pode abrir mais oportunidades para a classe.

“A criação de Bettas é um hobby, uma paixão, e a cada mês surgem mais criadores. As competições são muito profissionais e servem para criador mostrar a qualidade dos seus peixes, para que outras pessoas possam adquirir. E essa é uma atividade que muitas pessoas vivem disso, de criar e vender Bettas”, lembrou Fernandes.

Apesar da piscicultura ornamental existir desde a década de 1950 no Brasil, Cecchetti destaca que somente em 2010 a área foi reconhecida e profissionalizada pelo Governo Federal.

De lá para cá, na avaliação dele, o setor vem se tornando promissor e crescendo cada vez mais.

O zootecnista cita como exemplo da profissionalização da área os estado Minas Gerais e Rio Grande do Norte, onde para as exposições agropecuárias, existem galpões específicos para a competição dos peixes ornamentais.

No munícipio de Patrocínio de Muriaé (MG), Cecchetti detalhou que muitos pequenos produtores rurais migraram para a piscicultura ornamental com o apoio e fomento da prefeitura.

“A piscicultura ornamental tem algumas vantagens em relação a outras culturas como pecuária, agricultura e piscicultura de corte, pois exige bem menos espaço para criação, rentabilidade muito mais rápida, e não precisa de mão de obra pesada”.

Atualmente, Patrocínio de Muriaé é considerado o maior polo produtor de peixes ornamentais do Brasil, com uma produção média estimada em 200.000 animais por mês. Peixes Betta Splendens são os carro-chefe, representando 80% de toda a produção.

“A demanda por este peixe é maior que sua produção”, detalhou Cecchetti.

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