Doutor em zootecnia fala sobre desaparecimento de abelhas no Rio Grande do Sul

Não é novidade: as abelhas estão desaparecendo no mundo todo. Além de ameaçar a existência de alimentos no futuro, o sumiço destes animais coloca em risco a produtividade agrícola, prejudicando inúmeros apicultores. Uma reportagem da portal Veja abordou este cenário especificamente no Rio Grande do Sul, maior produtor de mel do Brasil. Para falar sobre o tema, a reportagem entrevistou o doutor em zootecnia Nadilson Ferreira, coordenador técnico da Câmara Setorial de Apicultura e Meliponicultura da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi).

As abelhas, segundo Ferreira, são essenciais não apenas para a produção de mel, mas para a polinização de culturas de alimentos como maçã, laranja e até a soja. Por isso, a morte delas, muitas vezes causadas por agrotóxicos, deixa de preocupar apenas apicultores e meliponicultores para ganhar atenção de toda a cadeia de produção de alimentos.

“Nem toda morte de abelha é culpa do agrotóxico, mas um percentual muito alto está ligado aos pesticidas”.

Ferreira pesquisou o processo de polinização no seu doutorado em zootecnia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e destaca que o Brasil é líder mundial em uso de agrotóxicos. A venda desse tipo de produto aumentou 155% em dez anos no país, de 2002 a 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ferreira explica que as abelhas são um indicador ambiental. Se as abelhas estão morrendo, é porque o meio ambiente está desequilibrado. Com a degradação do ambiente rural por causa dos agrotóxicos, muitas abelhas acabam migrando para a cidade. Ocorre o que Ferreira chama de “favelização” desses insetos.

“Elas costumam usar buracos de árvores para se proteger. Na cidade, encontram frestas de parede, carros abandonados, poste de ferro. Elas vão ocupando tudo que é buraquinho por aí”, explica o técnico. “É como se fossem os bolsões de pobreza da periferia. Com as abelhas acontece a mesma coisa. Tem 30 mil delas em um buraco onde mal caberiam cinco mil”, exemplifica.

REVERSÃO

Apesar do cenário não ser satisfatório, o Rio Grande do Sul conseguindo, aos poucos, se recuperar da também conhecida “crise das abelhas”.

Se em 2015, quando a morte das abelhas foi drástica, o estado produziu duas toneladas de mel, a projeção da Fargs para 2017 é de dez toneladas. A melhora se deve à capacitação dada aos apicultores, especialmente sobre a nutrição das abelhas. A alimentação adequada colabora para torná-las mais resistentes.

A recuperação da produção também é reflexo das novas colmeias reconstruídas após a mortandade. Quando uma colmeia morre, cerca de dois anos são necessários para recuperá-la perfeitamente, de acordo com o presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul (Fargs).

“Recuperei bastante abelha de novo. A expectativa é normalizar a produção neste ano”, conta Anselmo Kuhn, de 62 anos, que há quase quatro décadas trabalha com mel. Kuhn perdeu cem colmeias em 2015.

“Além de não produzir naquele ano, existe perda da produção, que não tem, e da recuperação das abelhas para produzir de novo. O prejuízo é dobrado”.

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