A baixa eficiência alimentar em bovinos da raça Nelore, que se traduz na maior quantidade de alimento que o animal precisa ingerir para ganhar peso, está associada a lesões no fígado e ao decorrente processo inflamatório local. Esta foi a conclusão de uma pesquisa realizada na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), no campus de Pirassununga. As informações são da Agência FAPESP.

De acordo com informações da agência, o estudo foi desenvolvido com 96 bois machos. Os pesquisadores acompanharam os animais durante 70 dias, e, para cada animal, registraram um conjunto de variáveis: peso inicial, peso final, ganho diário de peso, consumo alimentar, deposição de gordura, além de medidas de eficiência alimentar, como consumo alimentar residual e consumo e ganho residual. Com base nesses dados, definiram dois subconjuntos: o formado por animais com alta eficiência alimentar (que ganhavam peso com menor quantidade de alimento) e o formado por animais com baixa eficiência alimentar (que precisavam ingerir mais alimento para ter o mesmo ganho de peso).

“Em nosso trabalho, foi possível demonstrar, pela primeira vez, que os animais menos eficientes (ou seja, os que precisam comer mais para ganhar o mesmo peso que os eficientes) apresentam, além do metabolismo lipídico e energético alterado, uma maior presença de lesões em seus fígados associadas a uma resposta inflamatória composta principalmente por células mononucleares”, disse Heidge Fukumasu, coordenador do trabalho, à Agência FAPESP.

Apóe esta etapa, por meio de análise de biologia molecular e bioinformática, foi rastreada a expressão de todos os genes expressos no fígado desses animais. Assim, os pesquisadores puderam correlacionar o fenótipo com a expressão de determinados genes.

“As abordagens de bioinformática, realizadas em colaboração com o pesquisador Haja Kadarmideen, da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, nos proporcionaram informações novas, além da simples detecção dos genes diferencialmente expressos. Foi possível ter a indicação de que vias biológicas relacionadas com a inflamação estejam associadas ao fenótipo de menor eficiência alimentar, fato que ainda não havia sido demonstrado na literatura. Em outras palavras, constatamos que os animais com baixa eficiência alimentar apresentavam enriquecimento funcional para maior resposta inflamatória no fígado”, informou Fukumasu.

Como foram colhidas amostras de sangue dos animais ao longo do experimento inteiro, os pesquisadores puderam comparar os dados obtidos na análise de bioinformática com os parâmetros levantados na análise bioquímica do sangue. E comprovaram que, de fato, os animais com baixa eficiência alimentar apresentavam marcadores de lesão hepática em níveis maiores. “O mesmo foi corroborado também pela análise histopatológica: na lâmina ao microscópio, as amostras de fígado dos animais com baixa eficiência alimentar apresentaram maior número de focos de inflamação”, acrescentou Fukumasu.

O estudo, que constituiu o objeto da dissertação de mestrado de Pâmela Almeida Alexandre, foi publicado recentemente na revista BMC Genomics: “Liver transcriptomic networks reveal main biological processes associated with feed efficiency in beef cattle”.

Para saber mais sobre a pesquisa, clique aqui.

4 Comentários
  1. Guilherme Teixeira 3 anos atrás

    Muito interessante, agora em breve teremos aditivos ou hepatoprotetores para reverter este caso ou até mesmo uma mudança na engenharia genética do animal , colocando-o mais resistente !( sera?)

  2. Hugo Monteiro 3 anos atrás

    Olá,

    Há vestígios que isso é realmente apenas para animais da raça Nelore? Acredito que o titulo foi precipitado e que o animal tratado no artigo é o animal de baixa eficiência alimentar e não que o Nelore tenha baixa eficiência alimentar. A raça foi utilizada para o experimento apenas, mas dentro dos 96 animais restantes no final existiam animais com alta e baixa eficiência alimentar.

    Muito obrigado pela atenção!

  3. nelson 3 anos atrás

    da b12 ou safeeds ?

  4. Boa noite,

    Concordo com o amigo Hugo Monteiro, pois não foi citado a raça nelore e estudos envolvendo animais da raça prova que além de sua rusticidade uma parcela destes animais possuem boa conversão alimentar e também produção de carne de ótima qualidade.

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