Zootecnista coordena grupo que trabalha com agricultura biossalina

Pensando em diminuir os problemas de agricultores do sertão nordestino, a Embrapa criou um grupo de pesquisa que está adaptando a irrigação às condições do Nordeste com uma técnica já usada em outros países: a chamada agricultura biossalina. O tema foi abordado em uma reportagem do Globo Rural exibida no último domingo (29), onde o zootecnista e coordenador do grupo, Gherman Araújo, explica o funcionamento.

“A agricultura biossalina é uma alternativa de cultivo, é uma alternativa de agricultura, onde se tem como base o uso de águas com certos teores de sais. É uma agricultura que tem sido utilizada desde da década de 50, onde a disponibilidade de água doce é extremamente restrita. Então, essas águas com certos teores de sais, uma vez utilizadas com critérios, podem se tornar uma excelente alternativa de produção.”

Apesar de a água não ser a ideal para a irrigação. Segundo o zootecnista, a ideia é trabalhar em pequenas áreas, destinadas à produção de forragem pra alimentação animal. O sistema deve seguir três regras fundamentais: análise da água do poço que vai ser usado para determinar a quantidade e os tipos de sais que ela contém; conhecer muito bem o solo que vai ser irrigado; escolher culturas adequadas pra cada situação.

De acordo com Araújo, a Embrapa vem testando algumas plantas em um campo experimental. Ele explica que as plantas recomendadas para o sistema de agricultura biossalina devem ser as halófitas.

“São aquelas plantas que toleram sais, que são resistentes aos sais. A planta mundialmente reconhecida como obrigatoriamente halófita é a erva-sal ou atriplex nummularia. Essa precisa, inclusive, de sódio para o seu crescimento.”

A erva-sal tem mais de 20% de proteína. Por isso, pode ser usada como forrageira.

“A proteína, na verdade, é o nutriente mais importante, mais rico e, digamos, mais caro no processo de formulação de uma dieta para os animais. Então, essa planta tem importância enorme para o nosso semiárido também”, completa o zootecnista.

A Embrapa também está testando plantas já conhecidas e cultivadas por muitos agricultores sertanejos, como a gliricídia e a palma forrageira. Os testes também mostraram bons resultados com sorgo, moringa, leucina e palma.

A palma, além de forrageira para matar a fome dos animais, é também uma fonte de água, que pode ser usada para matar a sede do rebanho. A planta é uma produtora de água. Ela tem 90% de água e 10% de matéria seca.

Para assistir a reportagem completa, clique aqui.

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