Cada vez mais em alta nas propriedades rurais, a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem trazendo mais lucro para produtores em diversas regiões do Brasil. Com o foco na terra alternada – entre lavoura e a pecuária -, os produtores conseguem, junto ao devido acompanhamento zootécnico, melhorar o rendimento das suas propriedades otimizando o uso da terra. Um projeto da Emater do Distrito Federal desenvolvido em Planaltina levou a ILP para dentro da propriedade de um produtor de grãos, que obteve lucro líquido de 4% ao mês na atividade de terminação de bovinos de corte ao adotar o semiconfinamento neste sistema de integração.

De acordo com o zootecnista Maximiliano Cardoso, que trabalhou no projeto, no período da seca, em um manejo convencional, o gado mantém o peso ou tem um ganho pequeno, por volta de 100 a 150g por dia, com o uso de suplementação proteica. Mas não é isso o que ocorre em um sistema integrado.

“Com o nosso planejamento e acompanhamento zootécnico, no sistema de semiconfinamento, conseguimos um ganho de 900g por dia, atendendo ao que foi planejado para 70 dias. Esse sistema barateia o custo da arroba produzida na entressafra e o produtor aproveita áreas que ficam ociosas com ‘boi safrinha’”, conta.

Zootecnista Maximiliano Cardoso orientando produtor e funcionários da propriedade (Foto: Divulgação/Ascom)

O “boi safrinha” mencionado pelo zootecnista refere-se à alimentação de bovinos na entressafra, aproveitando o resto da forragem acumulada em consórcio com milho ou soja e plantas forrageiras como a ‘Brachiaria ruzizienses’, após a safra dos grãos. O trabalho visa atingir patamares cada vez mais elevados de qualidade dos produtos, bem como a sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Segundo informações da Emater-DF, na propriedade que recebeu a ILP, o lucro foi estimado em cerca de 8 vezes mais que o rendimento da caderneta de poupança. Por animal, o lucro aproximado foi de R$ 300.

O SISTEMA

Este sistema de produção integrado consiste na implantação de diferentes sistemas produtivos de grãos, fibras, carne, leite, agroenergia e outros, na mesma área, em plantio consorciado, sequencial ou em rotação. Os principais benefícios são melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo; redução da pressão de doenças, insetos-praga e plantas daninhas; maior produtividade dos componentes (planta e animal) e redução de riscos, de produção e financeiro, pela diversificação de atividades.

Gado ganhou 900g por dia com o planejamento zootécnico da Emater-DF (Foto: Divulgação/Ascom)

Para a sua implantação, são necessárias visitas profissionais periódicas, que avaliam o andamento, a saúde dos animais, o manejo, peso e outros aspectos. Na entressafra, durante a engorda, os animais se alimentaram com ração elaborada com os grãos cultivados na propriedade, adicionando um núcleo mineral vitamínico e ureia para mistura, além de, na área de pastejo, consumirem volumoso composto pelos restos do plantio de grãos e a forragem, que é usada posteriormente como cobertura de solo para o plantio direto na palha.

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