A Zootecnia vem contando, a cada dia, com mais mulheres no mercado. É o que indicam estudos sobre a participação de mulheres no meio agro e, também, o que avalia a especialista, diretora da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ) e integrante da Comissão Nacional de Ensino em Zootecnia (CNEZ) do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Safira Valença Bispo. Apesar do crescimento, os desafios ainda são muitos.

“Hoje existe um senso comum que, de uma forma geral, o mercado é formado majoritariamente por homens. E infelizmente isso é uma realidade também na Zootecnia. Entretanto, é perceptível, por onde a gente passa, nas universidades que visitamos, o aumento do número de mulheres nos cursos de agrárias de forma geral”.

(Foto: Reprodução/CNPA)

Atualmente, segundo Safira, não existem dados precisos sobre a participação feminina na Zootecnia em todo o território brasileiro, mas para exemplificar o crescimento desta participação, ela cita o censo rural do IBGE de 2017.

“Segundo o censo, a participação das mulheres na administração de propriedades rurais no Brasil passou de 10% a 30% nos últimos quatro anos. Confirmando isso, a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio estima que mais de 4 milhões de mulheres tem atividades ligadas a área rural. Então são zootecnistas, agrônomas, veterinárias, entre outras, que estão somando esse grande quantifico de mulheres”.

Dados do CFMV indicam, também, que o crescimento da participação de mulheres na Zootecnia realmente é significativo. Dos 8.887 profissionais registrados e ativo hoje, 2.783 são mulheres, o que representa 1/3 do mercado, diferença clara das 1.229 zootecnistas em 2009. O maior quantitativo feminino é de São Paulo, com 558 zootecnistas registradas.

“Aqui no curso de Zootecnia da unidade acadêmica de Garanhuns, 47,6% das matriculas são de mulheres. Infelizmente, a gente ainda não tem muitos estudos a respeito para exemplificar todos os cursos de Zootecnia do Brasil. Mas na nossa região, o crescimento é claro”, complementa Safira, lembrando que a luta das mulheres é voltada, principalmente, a igualdade entre os gêneros.

“A participação feminina igualitária no mercado é uma questão de tempo. Desafios sempre temos, e um deles, para além da questão de gênero, é a necessidade dos zootecnistas terem seu próprio conselho. Isso nos permitiria ter mais força para exercer a Zootecnia plenamente e a maior divulgação para a população da importância da profissão na garantia de produtos de boa qualidade, com segurança alimentar alinhada ao bem-estar dos animais”.

SOBRE SAFIRA

Zootecnista formada pela UFRPE em 2004, com doutorado Sanduíche pela UFRPE e McGill University no Canadá em Produção de Ruminantes. É docente e coordenadora do curso de Zootecnia da UFRPE/Unidade Acadêmica de Garanhuns; Diretora da ABZ no Estado de Pernambuco; integrante da CNEZ/CFMV; integrante da Comissão de Educação do CRMV/PE; e presidente do Congresso Nordestino de Produção Animal (CNPA).

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