“Por que é tão difícil adotar práticas de bem-estar animal, se a informação está disponível e é gratuita?”. Esse questionamento dá uma prévia do que pensa e como trabalha a pecuarista Carmen Perez, da fazenda Agropecuária Orvalho das Flores, em Araguaiana, Mato Grosso. Carmen tem se tornando referência na adoção de boas práticas agropecuárias com ênfase no bem-estar animal (BEA). Em participação recente no quadro DBO Entrevista, ela revelou que tem dois grandes nomes da Zootecnia como referência: Mateus Paranhos (um dos criadores da Associação Brasileira de Zootecnistas); e Temple Grandin, Ph.D em Zootecnia e um grandes nomes no cenário mundial sobre o bem-estar animal.

Pecuarista, que começou trabalho na propriedade sem muito conhecimento técnico, se especializou e hoje administra fazenda que é referência nacional (Foto: Divulgação)

“O professor Paranhos me ensinou que é muito importante respeitar o ritmo da equipe, ao se adotar mudanças. Isso porque elas têm um processo. Quando se começa a implementar um trabalho de BEA, ele não acontece do dia para noite, então o ideal é passar uma informação por vez. Já a Temple é uma pessoa que inspira muito, por todas as dificuldades que ela passou na vida. Primeiro, sendo mulher nos anos de 1970; depois sendo autista, e, terceiro, colocando as questões do bem-estar animal numa sociedade que nunca tinha escutado esse termo”.

(Fotos: Reprodução/Portal DBO – Reprodução/Elsevier/Alison Bert)

Uma das práticas adotadas por Carmen em sua propriedade é de proporcionar aos bezerros um tratamento especial logo quando nascem: eles recebem uma massagem relaxante. Há, inclusive, um colchão específico para o animal receber essa sessão. Este tratamento ao animal é apenas uma das diversas práticas de BEA que já foram adotadas na fazenda.

“Para adotar práticas de bem-estar animal, o produtor precisa ter vontade de fazer. É preciso acabar com a mentalidade de que a prática é cara, que dá trabalho, que não é possível porque é difícil. Difícil por quê? Por que é tão difícil adotar práticas de bem-estar animal, se a informação está disponível e é gratuita? O que é exigido é uma doação de tempo. Na verdade, tudo é difícil, se a gente for pensar. Tudo exige dedicação e perseverança, mas é muito possível dedicar o tempo para isso”, disse ao DBO.

Segundo Carmen, para adotar boas práticas em fazendas não há mistério. É necessário apenas dedicação. Na entrevista, ela falou, também, em como acredita que a educação contínua é importante para se alcançar bons resultados.

“Os ganhos do bem-estar animal estão na parte produtiva. Com ele, não tem contusão na hora da vacina, não há formação de abcessos por causa de uma aplicação de vacina mal feita, a qual são perdidos até 4 quilos de carne no frigorífico”.

PRIMEIROS PASSOS

Segundo a pecuarista, a comunicação e persistência são algumas das chaves para que o bem-estar animal se torne uma constante nas propriedades. Explicação de todos os procedimentos, treinamentos com acompanhamento de perto, aprendizado do comportamento do rebanho e muita repetição de instruções também fazem parte do processo.

Assista a entrevista completa clicando aqui.

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